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Manejo de via aérea

O guia definitivo para inserção segura de um dispositivo supraglótico (DSG): 3 técnicas passo a passo para serem aplicadas na prática.

Ricardo Zanlorenzi· CRM-SC: 21593 RQE: 16.6334 min de leitura
O guia definitivo para inserção segura de um dispositivo supraglótico (DSG): 3 técnicas passo a passo para serem aplicadas na prática.

A inserção de supraglóticos é algo normalmente negligenciado. Trabalhos do final dos anos 1990 trazem uma curva de aprendizado de aproximadamente 750 inserções para que a chance de sucesso na inserção e acoplamento do dispositivo seja otimizada pelo operador.

Dentre as mais de 30 técnicas descritas, irei trazer 3 para serem executadas de maneira passo a passo e oferecer opções a quem, assim como eu, está no dia a dia utilizando esses dispositivos!

Antes de tudo algumas premissas para termos mais sucesso em qualquer inserção:

-       Indução anestésica: o paciente precisa estar bem induzido para uma inserção correta do DSG, inclusive pode ser administrado bloqueador neuromuscular, caso o profissional julgue necessário. Embora exista uma técnica chamada de “active swalowing”, na qual uma sedação leve e anestesia tópica da via aérea é realizada e o paciente faz a deglutição do dispositivo.

Imagem representando a progressão do bolo alimentar, que é justamente o trajeto desejado que o supraglótico faça.

-          Posicionamento: o posicionamento de trágus na linha do esterno é o recomendado para que haja mais chance de sucesso na inserção do supraglótico.

Posição convencional com o queixo muito próximo do tórax, inadequada.

Posição recomendada com um ângulo orofaríngeo de aproximadamente 120º

Paciente bem posicionado e bem induzido, já aumentamos exponencialmente a chance de sucesso na inserção do nosso supraglótico.

A técnica padrão, chamada de “standard technique” possui três variações: abordagem pela linha média, abordagem lateral e “thumb technique”. Em todas elas a máscara deve ser desinsuflada contra uma superfície lisa e ter sua parte posterior lubrificada com gel.

Desinsuflação manual do DSG

Inserção pela linha média, passo a passo, com reprodução em cadáver. O operador deve pegar a máscara como se fosse um lápis, com a mão dominante, e inseri-la pressionando contra o palato, igual a base a língua pressiona o bolo alimentar durante a deglutição para que ele seja direcionado ao esôfago. No momento apresentado na figura C, caso haja resistência, recomendo uma tração mandibular ou jaw thrust e, se necessário, desdobrar a ponta da máscara, para então progredir até sentir resistência.

Inserção pela abordagem lateral. Segue os mesmos passos da abordagem convencional, porém é inserida pela lateral da cavidade oral. Sua grande vantagem se dá por apresentar menor resistência na região da base da língua, você “desvia” da língua caída na orofaringe.

Comparação entre as técnicas mediana e lateral. Observe que a lateral é em torno de 45º de angulação

Técnica “thumb”, que nada mais é que utilizar o polegar, ou numa tradução literal: técnica do polegar! Muito utilizada no pré-hospitalar em pacientes onde o acesso a via aérea é desafiador.

Mas e técnicas de inserção com o cuff insuflado, não tem? Claro que tem!

Atualmente os resultados na literatura são conflitantes e diversos, alguns sem diferença no sucesso da inserção com cuff parcialmente inflado versus totalmente desinsuflado. Ainda, tem algumas referências trazendo superioridade da técnica com o cuff parcialmente insuflado. Independente da técnica utilizada, garantir as premissas trazidas no início do artigo é essencial, assim como outra dica que trarei logo abaixo.

Pedir para alguém realizar um jaw thrust ou você mesmo fazer uma tração mandibular ajuda muito no sucesso do acoplamento do dispositivo.

A técnica reversa ou técnica de guedel traz a opção de inserção da máscara laríngea como se fosse uma cânula orofaríngea. Ela deve ser inserida com sua parte anterior em contato com o palato, e deve-se girar 180º ao progredir pela orofaringe.

Essa técnica é conhecida como Charlottetown Twist ou Carolina Maneuver, após ser praticada nesses locais durante os anos 2000s.

Técnica reversa ou técnica de guedel


A inseção de supraglóticos tem uma curva de aprendizado e não é pequena, existem diversos nuances para tirar o máximo de cada dispositivo. A disponibilidade de novos e modernos dispositivos não deve ser desculpa para não conhecermos e estudarmos as diversas técnicas e alternativas que temos para explorar essa área e oferecer essa opção aos nossos pacientes.


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Este artigo tem fins informativos e educativos, não substitui uma consulta médica. Consulte sempre um profissional de saúde para obter um diagnóstico e tratamento adequados.

 

Referências

  1. - Middleton, P. (2009). Insertion Techniques of the Laryngeal Mask Airway: A Literature Review. Journal of Perioperative Practice, 19(1), 31–35.
  2. - BRIMACOMBE, Joe R. Laryngeal mask anesthesia: principles and practice. 2. ed. Philadelphia: Saunders, 2005. 699 p. ISBN 0-7020-2700-6

Perguntas frequentes

Sobre o autor

Ricardo Zanlorenzi
Ricardo Zanlorenzi

CRM-SC: 21593 RQE: 16.633

Desenvolvendo profissionais de saúde através do aprendizado | Aprendizado ativo | Educação médica | Médico anestesiologista e professor apaixonado pelo manejo de vias aéreas.

Conteúdo produzido e revisado pela equipe técnica da Celmat Produtos Hospitalares. Revisado por Celmat.

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