O guia definitivo para inserção segura de um dispositivo supraglótico (DSG): 3 técnicas passo a passo para serem aplicadas na prática.

A inserção de supraglóticos é algo normalmente negligenciado. Trabalhos do final dos anos 1990 trazem uma curva de aprendizado de aproximadamente 750 inserções para que a chance de sucesso na inserção e acoplamento do dispositivo seja otimizada pelo operador.
Dentre as mais de 30 técnicas descritas, irei trazer 3 para serem executadas de maneira passo a passo e oferecer opções a quem, assim como eu, está no dia a dia utilizando esses dispositivos!
Antes de tudo algumas premissas para termos mais sucesso em qualquer inserção:
- Indução anestésica: o paciente precisa estar bem induzido para uma inserção correta do DSG, inclusive pode ser administrado bloqueador neuromuscular, caso o profissional julgue necessário. Embora exista uma técnica chamada de “active swalowing”, na qual uma sedação leve e anestesia tópica da via aérea é realizada e o paciente faz a deglutição do dispositivo.
Imagem representando a progressão do bolo alimentar, que é justamente o trajeto desejado que o supraglótico faça.
- Posicionamento: o posicionamento de trágus na linha do esterno é o recomendado para que haja mais chance de sucesso na inserção do supraglótico.
Posição convencional com o queixo muito próximo do tórax, inadequada.
Posição recomendada com um ângulo orofaríngeo de aproximadamente 120º
Paciente bem posicionado e bem induzido, já aumentamos exponencialmente a chance de sucesso na inserção do nosso supraglótico.
A técnica padrão, chamada de “standard technique” possui três variações: abordagem pela linha média, abordagem lateral e “thumb technique”. Em todas elas a máscara deve ser desinsuflada contra uma superfície lisa e ter sua parte posterior lubrificada com gel.
Desinsuflação manual do DSG
Inserção pela linha média, passo a passo, com reprodução em cadáver. O operador deve pegar a máscara como se fosse um lápis, com a mão dominante, e inseri-la pressionando contra o palato, igual a base a língua pressiona o bolo alimentar durante a deglutição para que ele seja direcionado ao esôfago. No momento apresentado na figura C, caso haja resistência, recomendo uma tração mandibular ou jaw thrust e, se necessário, desdobrar a ponta da máscara, para então progredir até sentir resistência.
Inserção pela abordagem lateral. Segue os mesmos passos da abordagem convencional, porém é inserida pela lateral da cavidade oral. Sua grande vantagem se dá por apresentar menor resistência na região da base da língua, você “desvia” da língua caída na orofaringe.